Edson e Márcia Suzuki - ATINI
ATINI - VOZ PELA VIDA
ATINI - VOZ PELA VIDA é uma organizaçao sem fins lucrativos, sediada em Brasília - DF, que trabalha na defesa do direito das crianças indígenas. Atini significa "voz" na língua suruwahá. Uma voz pela vida, que apresenta à sociedade uma reflexão sobre o homicídio de crianças indígenas, geralmente chamado de infanticídio, ao mesmo tempo em que procura gerar alternativas para solucionar o problema.
Em muitas partes do Brasil, a prática do infanticídio é uma realidade até os dias de hoje. A cada ano, dezenas de crianças são enterradas vivas, sufocadas com folhas, envenenadas ou abandonadas para morrer na floresta. Mães amorosas são muitas vezes forçadas pela tradição cultural a trair seus instintos e desistir de suas crianças. Algumas preferem se suicidar a fazer isso. Outras têm que conviver com a dor e o remorso pelo resto da vida. Em alguns casos, as mães lutam pela vida de seus filhos enquanto podem, e são obrigadas a viver excluídas da sociedade ou a se refugiar fora da sua comunidade. Muitas são as razões que levam à morte centenas de crianças indefesas. Crianças que nascem com alguma deficiência física ou mental podem ser sacrificadas. Crianças gêmeas ou nascidas de relações indesejadas pela comunidade também não têm garantia do direito à vida. Em certas comunidades, a mãe têm todo o direito de matar um recém-nascido, caso ainda esteja amamentando outra criança. Ou se o sexo do bebê não corresponder ao esperado. Em algumas tribos vem aumentando o número de infanticídios entre mães jovens. Falta de informação, falta de acesso às políticas públicas de educação e de saúde, associadas à absoluta falta de esperança no futuro, servem para perpetuar essa prática.
Mesmo sendo uma violação aos direitos humanos, na prática, o infanticídio acaba sendo tolerado pelos órgãos oficiais, sob a política da não-interferência cultural. Embora tenhamos informações que apontem para um aumento nas taxas de infanticídio nos últimos anos, há uma grande dificuldade em se chegar a um consenso quanto ao número aproximado de vítimas por ano. Muitas das mortes por infanticídio vêm mascaradas nos dados oficiais como morte por desnutrição ou por causas indeterminadas.
Nosso movimento nasceu como resultado da luta de uma mulher. Uma mulher indígena que decidiu enfrentar a tradição de sua sociedade e a burocracia da sociedade nacional com o objetivo de garantir o direito à vida para sua filha deficiente. No início de 2005, Muwaji Suruwaha saiu da aldeia com sua família e passou a lutar para que Iganani, que sofre de paralisia cerebral, receba tratamento médico. Atualmente Iganani está fazendo tratamento de reabilitaçao num Hospital da Rede Sarah, em Brasília, e só pode voltar a viver na aldeia um dia se conseguir aprender a andar.
Somos um grupo formado por pessoas de diferentes setores da sociedade, como ONGs, associações indígenas, empresas, igrejas, políticos, reunidos em torno de um propósito. Respeitamos as culturas e as diferenças, mas respeitamos acima de tudo os seres humanos, sem distinção. Lutamos para sensibilizar e mobilizar a sociedade com o objetivo de buscar soluções para esse problema ancestral de nossa nação. Lutamos para defender o direito à vida de cada criança, independente da origem étnica. Lutamos para levar informação à cada comunidade indígena e para criar condições para que as crianças sobreviventes ao infanticídio sejam tratadas com respeito e dignidade.