200 ANOS DE HISTÓRIA
Quando os líderes pioneiros começaram não sabiam todos os caminhos e direções que suas escolhas os levariam, Levou Rice Haggard a promover o nome "Cristão" com sucesso na República Metodista na Carolina do Norte e Virginia em 1794 e aos Presbiterianos em Springfield, Kentucky em 1804. A dissolução dos Presbiterianos em Springfield e a "união ao corpo de Cristo em seu todo" por Barton W. Stone e outros em Cane Ridge no dia 28 de junho de 1804. Fez com que uma congregação associada aos Campbells em Brush Run, Washington County, Pensilvânia, passasse a observar a Santa Ceia semanalmente a partir do dia 8 de maio de 1811. Levou Alexander Campbell a examinar sua alma e estudar profundamente as Escrituras na ocasião do nascimento de seu primeiro filho e assim passar a rejeitar o batismo infantil, chegando à conclusão que o batismo era por imersão e não aspersão.
Imediatamente Thomas e Alexander Campbell foram batizados por imersão em obediência à ordenação de Senhor Jesus Cristo no dia 12 de junho de 1812. Levou Walter Scott a desenvolveR a apresentação simples do plano da salvação usando os cinco dedos da mão (fé, arrependimento, batismo, perdão dos pecados e dom do Espírito Santo), pelo qual milhares vieram a confessar Jesus Cristo como salvador na Western Reserve nos anos de 1827-30.
Levou a união das ramificações dos movimentos de Campbell e Stone nos últimos dias de 1831, celebrando juntos a Santa Ceia em Lexington, Kentucky, no dia de ano novo de 1832, porque eles eram unidos no essencial quanto a fé, mesmo que houvessem muitas diferenças de opiniões. Mesmo que o Movimento da Restauração tenha sido impedido por vários fatores, o Movimento não morreu. O motivo de sua persistência provavelmente seja porque não é e nunca foi uma organização estruturada; mas é uma comunhão livre. Todas as vezes que indivíduos e congregações seguirem com sinceridade o Novo Testamento como sua única regra de fé, ordem e prática, e o princípio "no essencial, unidade; nas opiniões, liberdade; em todas as coisas, amor" o Movimento continuará crescendo e congregações estarão crescendo. Hoje o Movimento da Restauração está presente com missões em 178 países do mundo, e conta com cerca de 16 milhões de membros e aproximadamente 8 milhões somente nos EUA.
Em 1832 os movimentos de Stone e Campbell se unificaram. Um dos mais importantes articuladores dessa união foi um advogado e pregador da Igreja em Great Crossing (associada aos "Discípulos"), chamado John T. Johnson. Ele e Barton Stone eram amigos e moravam em Georgetown, no Kentucky.
Johnson e Stone iniciaram um diálogo sobre a possibilidade de unidade entre os dois movimentos. A eles se juntaram Racoon John Smith ("Discípulo") e John Rogers ("Cristão") e os quatro decidiram convocar uma reunião geral e consultar os dois grupos sobre a unidade. A primeira reunião aconteceu em Georgetwon entre 23 e 26 de dezembro de 1831. A segunda foi realizada no final-de-semana do ano novo de 1832, em Lexington. Nessa última, Racoon John Smith fez um conhecido apelo à unidade dos dois grupos dizendo:
"Já não sejamos mais campbellistas ou stoneístas, de luz nova ou de velha luz, ou de nenhuma classe de luz, senão que voltemos à Bíblia, e somente à Bíblia, como o único livro no mundo que nos pode dar toda a Luz que necessitamos".
Segundo o Dr. B. J. Humble afirmou, foram dados vários passos rumo à unidade. Entre eles Humble citou que Racoon John Simith e John Rogers foram enviados às igrejas para estimulá-las à união e o fato de Barton Stone convidar John T. Johnson para ser co-editor do seu periódico "O Mensageiro Cristão", publicado desde 1826. Assim foi feita a união dos dois grupos. Barton Stone comentando sobre o que aconteceu em Lexington disse: "Eu considero essa união como o ato mais nobre de minha vida".
UNIDADE NA DIVERSIDADE
Os movimentos de Stone e Campbell se unificaram, mas a uniformidade nunca foi alcançada. Além de não reconhecerem nenhum credo formal, as igrejas desses dois movimentos eram muito diferentes entre si e não havia unidade doutrinária entre eles. No entanto, "campbellistas" e "stoneítas" eram semelhantes nos seguintes pontos:
- Ambos os movimentos aceitavam a Bíblia como única autoridade em matéria de fé e prática cristã e concordavam que Credos ou Confissões de Fé não deviam ser impostos sobre a igreja;
- Eles promoviam a unidade cristã com base em uma volta à Bíblia;
- Eles reagiram contra a teologia calvinista da Igreja Presbiteriana aceitando muitas das idéias da teologia arminiana;
- Ambos aceitavam o batismo de crentes, rejeitando o batismo de crianças (pedobatismo);
- Procuravam se designar por nomes bíblicos: "cristãos" ou "discípulos", "Igrejas Cristãs" ou "Igrejas de Cristo";
- Eles eram puramente congregacionais ou "independentes" e não aceitavam outras formas de governo além da igreja local.
O fato das igrejas deste movimento serem tão diferentes, desde o princípio, é tão verdadeiro que Augustus H. Strong, conceituado teólogo batista da época, fez referência em sua "Teologia Sistemática" à grande diversidade de opiniões entre as igrejas. No entanto, o desejo de união foi maior do que suas diferenças.
Segundo Leroy Garrett, "hoje o nosso lema deveria ser, à luz do que temos visto, a unidade na diversidade". Ele disse que "esse lema caracterizava o movimento em seu início; eles tinham liberdade de divergir, mas não para se dividir". Os "reformadores" aceitaram o famoso provérbio de Maldenius: "Na unidade dos fundamentos, na liberdade dos não-fundamentos, em todas as coisas caridade". Sobre ele, J. H. Garrison escreveu que Rupertus Maldenius sussurrou às gerações futuras esse provérbio, pois ele foi dito por volta de 1627 ou 1628, durante a Guerra dos Trinta Anos, e cinqüenta anos mais tarde Richard Baxter fez uma referência a ele.
T. P. Haley escreveu que "havia uma grande diversidade de opinião em referência às matérias de fé e de prática" e que esse fato levou Alexander Campbell a proferir a seguinte sentença: "Nós temos entre nós toda a sorte de doutrinas pregadas por toda a sorte de homens".
Haley continua dizendo que toda essa diversidade é, provavelmente, o resultado do abuso de sua liberdade. Para os "reformadores": "O único teste da verdade era sua atitude para Jesus o Cristo, filho de Deus vivo; que ser verdadeiro sobre o Cristo é ser ou se tornar verdadeiro sobre cada outra doutrina ou prática essencial".
Em um artigo publicado no Restauration Review, com o título "Unidade na Diversidade", Leroy Garrett diz o seguinte: "Nossa própria história está repleta com exemplos da unidade na diversidade. Em ensaios recentes nessa coluna nós relatamos as diferenças entre os nossos pioneiros... Não somente diferenças entre si, que não romperam a sua comunhão, mas diferenças entre suas visões e práticas... Um ensaio dizia que não haveria maneira para Alexander Campbell ser aceito hoje por muitas igrejas de Cristo desde que não acreditava que o batismo era absolutamente essencial à salvação, ele mesmo não batizava para a remissão dos pecados, acreditava haver cristãos nas denominações e por ter servido por dezesseis anos como presidente da nossa primeira sociedade missionária. Thomas Campbell também não poderia ser irmão pela maioria das razões e, ainda, porque era calvinista em sua teologia".
Ele continua dizendo que: "Barton Stone acreditou na "sociedade aberta" ou na sociedade "ecumênica", que lhe causaria graves dificuldades entre as Igrejas Cristãs assim como as Igrejas de Cristo. Muitos dos pregadores do movimento de Stone... nunca aceitaram a ênfase campbelista no "batismo para a remissão dos pecados". Acreditavam na imersão, mas não aceitaram nem pregavam essa doutrina, que seria bastante para os barrar nas nossas faculdades e escolas de pregadores".
E mais: "Há em nossa história um exemplo nobre da unidade na diversidade... Ambos os grupos fizeram de Cristo seu único credo, rejeitando nomes e credos humanos, e fizeram da Bíblia sua única autoridade em matéria de fé e prática... Eles compartilharam uma paixão pela unidade da igreja. Tinham mudado da aspersão para a imersão e estavam procurando recuperar as ordenanças primitivas da igreja".
Falando sobre as diferenças entre os movimento de Stone e Campbell, que colocamos no quadro acima, ele afirma: "Essas diferenças eram tão substanciais quanto qualquer coisa que nos divide hoje. No entanto eles eram pessoas que estavam se unindo, quando nós somos pessoas que continuam se dividindo. Seu segredo era simples: aprenderam que a unidade pode ser realizada somente nos fundamentos da fé, permitindo diferenças nos não-essenciais. Isso não quer dizer que as coisas que divergiam não eram importantes, mas reconheceram que as coisas podem ser importantes sem ser essenciais. Trabalharam para mais concordância, que conseguiram gradualmente, mas como um povo unido e dentro da comunhão. Se tivessem que esperar até que vissem tudo igualmente, jamais teria existido o nosso movimento. Esse exemplo da história, junto com os exemplos similares de unidade na diversidade no próprio Novo Testamento, nos ajudam a superar uma falácia prejudicial: que nós devemos alcançar a concordância em tudo ou na maioria das coisas antes que nós pudéssemos ter comunhão.
Ainda sobre esse assunto, continua: "Nós temos dificuldade em aceitar divergências entre cristãos como inevitáveis. Desde os apóstolos, a igreja e eles mesmos não concordaram em todas as coisas, algumas delas antes significativas, senão essenciais... Haverá sempre as diferenças entre nós...".
Para Garrett é o amor que une e não concordância doutrinária. "O amor une perfeitamente aquilo que é dividido". Concordo com ele quando diz que mesmo que alcançássemos uma concordância perfeita em todos os pontos da doutrina, ainda assim não significaria a unidade perfeita: "Somente o amor faz a unidade perfeita, e isso quando as pessoas puderem ser completamente diversas em sua interpretação de muito da Bíblia. Stone e Campbell diferiram até na natureza de Cristo, mas não permitiram que isso rompesse sua comunhão em Cristo. O amor uniu-os!"
T. P. Haley escreveu que essa diferença sobre a natureza de Cristo é "a ilustração mais notável da unidade na diversidade" no nosso movimento: "O movimento Cristão de Reforma na Bíblia", conduzido por Barton W. Stone, no Kentucky e em partes do sul, antecipou o movimento dos Campbells por diversos anos, e pelo ano de 1830 numeraram não menos de dez mil membros, "foram marcados por determinadas tendências anti-trinitárias, pronunciada com mais ou menos vigor." Para o Unitarianismo, o movimento de Stone tendeu não somente, mas em quase cada detalhe foi afirmado. Mas o movimento de Stone estava em acordo com o movimento conduzido pelos Campbells na rejeição de credos humanos e na adoção da Bíblia como a única regra da fé e da prática. Tinham vindo também a aceitar a imersão de crentes arrependidos como o único batismo do N.T.. Com o partido de Stone, por um momento, foi associado o movimento de reforma que foi conduzido por Abner Jones, Elias Smith e provavelmente John Dunlevy que, com seus seguidores, transformou-se em Unitarianos , e foram chamados "os cristãos claros novos". É um fato incontestável que, apesar das diferenças entre o partido de Stone e os Discípulos na doutrina importante e fundamental da divindade de Cristo, maior influência teve os pontos de acordo em outras matérias, indubitavelmente, os dois partidos se uniram. É também um fato incontestável é que Stone nunca consentiria ser chamado um Trinitariano".
Também havia unidade na diversidade em nossas igrejas quanto ao governo das igrejas locais: "Os Discípulos e os pregadores que vieram das igrejas Batistas eram favoráveis ao Congregacionalismo - com controle democrático - um governo do povo, para o povo e pelo povo, e muitas das igrejas praticaram no começo.
Aqueles que vieram dos Presbiterianos, e este incluiu o partido de Stone, estavam a favor do governo por um líder (presbitério). Esta discussão era séria e continuou por muito tempo. Encontrou-se que nenhum extremo poderia prevalecer, e um acordo foi feito concordando ao governo por um presbitério, mas os pareceres e as decisões do presbitério eram sujeitos à aprovação, à emenda ou à rejeição pela voz e pelo voto do povo".
Garrett ainda afirma, e eu assino embaixo, que "Deus nos chamou para sermos unidos, não em uma seita, mas em um Corpo. Nós aceitamo-nos nessa base, fomos chamados para sermos unidos em um só corpo. Por isso nós devemos ser gratos" (cf. Cl 3:14-15). Para ele nossos antepassados aprenderam essa lição e preservaram a unidade do espírito na paz de Cristo.
Para conhecer mais da história das Igrejas de Cristo no Mundo, consulte www.movimentoderestauracao.com, de onde estes artigos foram retirados e adaptados.
